TechA Cloudflare registrou 18,2 milhões de ataques DDoS de camada de rede mitigados no terceiro trimestre de 2026 — alta de 208% em relação ao mesmo período de 2025. O dado mais útil para quem mantém sites e aplicativos é o formato: 96% duraram menos de dez minutos e 98% ficaram abaixo de 1 Gbps. Uma ofensiva curta e relativamente pequena ainda pode consumir os recursos de um servidor exposto.
Os números vêm da rede da Cloudflare e não representam um levantamento de todos os ataques na internet. No relatório publicado em 29 de outubro, a empresa também informa 14,4 trilhões de solicitações HTTP DDoS mitigadas no trimestre. Em outra direção, ataques de rede acima de 1 Tbps caíram de 805 no segundo trimestre para 251 no terceiro — uma queda de cerca de 69%, sem significar que ataques volumétricos deixaram de existir.
Por que rajadas curtas merecem atenção
Um DDoS tenta tornar um serviço indisponível ao sobrecarregar a rede, a aplicação ou a infraestrutura que atende as solicitações. Como muitas das rajadas observadas duraram menos de dez minutos, uma equipe pode receber o alerta quando o evento já terminou. E um servidor de origem limitado pode sofrer mesmo sem tráfego na escala de um grande ataque global.
A Cloudflare diz que 98% desses ataques ficaram abaixo de 1 Gbps e que esse volume ainda pode bastar para sobrecarregar um site ou servidor. É uma observação da própria empresa, baseada na telemetria da sua rede; o impacto real depende de capacidade, configuração e do caminho entre visitantes, CDN e servidor de origem.
Para uma empresa, a consequência pode ser uma página lenta ou fora do ar durante uma campanha, interrupção de um portal de clientes ou aumento inesperado de consumo em serviços de nuvem. Por isso, a proteção deve cobrir tanto a infraestrutura de rede quanto as requisições que chegam à aplicação.
O que revisar antes de um incidente
Comece confirmando se o tráfego público passa por uma camada capaz de absorver e filtrar ataques. Depois verifique se o servidor de origem aceita conexões diretas: quando um endereço de origem fica acessível fora da camada de proteção, o atacante pode tentar contorná-la. O guia de proteção de origem da Cloudflare recomenda restringir o acesso ao servidor e revisar registros DNS que possam revelar seu endereço.
Também vale revisar limites de taxa e regras para rotas sensíveis, conhecer o processo de escalonamento do provedor e testar como o serviço responde a picos e indisponibilidade. O guia de defesa proativa contra DDoS separa essas medidas de proteção na rede e na aplicação. Regras mal ajustadas podem bloquear clientes legítimos; valide-as com tráfego real e monitore erros, latência e conversões.
A queda dos ataques gigantes é uma boa notícia pontual, mas o relatório mostra que ataques menores e frequentes continuam ativos. Para sites e aplicativos, a pergunta prática não é apenas “aguentamos um pico de tráfego?”, mas também “o servidor de origem continua protegido quando uma rajada curta atinge a camada pública?”.
